Doem-me os braços e as pernas da cabeça
magoei a alma
deixei-a caír e não mais a apanhei
Manchada de púrpura trago a pele
e discretas as feridas que me disfere a espada do teu não
sinto-me sangrar
devagar
como quem chora
caem caladas as lágrimas no madeiro imaginário
que é o meu colo
carrego-me a mim mesma às costas
porque o meu corpo é o próprio
o madeiro
sinto-me trespassada pelas palavras que destilas
enganada pelas máscaras que desfilas
e sobretudo
morta
porque os teus olhos se recusam a ver
que a que fui não mais mora nesse espelho que recusaste ser.
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