Transbordar

Percebo, 

Na vida, variada, colorida 

Vemos todos estranheza 


Mas era estranho, deveras

Que ao olhar para uma andorinha ferida 

Víssemos apenas a beleza 


As feras do mundo 

Tentam cegar

O que há de profundo 

Na subtileza entre ver-Te e olhar


Graça é ver o mundo

E vê-lo a fundo 

Mas sem medo de afundar 


É que a superfície já não está sossegada 

Foi movida, perturbada


Até que chegaste, Jesus,

sossegaste a água agitada 

Com o romper do Teu firme caminhar!


(Porque duvidamos...?)


A Verdade é sempre Sagrada 

E por isso oferecida 

Onde a Alma está posta calada...


Obediente 


Pois que o Silêncio é um ofício 

Que exercitando em Silêncio se aprende


Mas ah, que alegria com "A" e que doçura, Jesus, 

Agora que aceitei a minha grande pequena Cruz 

Falas-me e cantas e ris e...

No meu íntimo 

o Amor

Já não me deixa emudecer, 

só consigo 

transbordar!!





A Verosimilhança, o rosto de Alguém

 

Quando olho hoje na vida a diferença
E contemplo a variedade que tem
Reparo que há certa parecença
Que me lembra o rosto de Alguém

Quando tudo se aproxima da sua verosimilhança
Reflete apenas de modos diversos a Luz
Que O vejo no sorriso de uma criança
Tal como O vejo pregado na Cruz

É o mesmo
É Jesus

Quando tudo concordar com a sua finalidade
Veremos transparentes os matizes
E de uma só cor, todas as tonalidades
(Que uma só é a realidade,
não há duas verdades,
e fomos mesmo feitos para sermos felizes)

A morte para mim já teve muitos rostos
Mas sombrios, desesperados, sem verdade e sem Cruz...
Mas hoje não. Recebi o perdão e sei com enorme felicidade, que, sobre qualquer ferida, reinará finalmente a Vida -
Quando for capaz de olhar para o fim que vai vindo, e ver aí também sorrindo,
no lugar de onde desapareceu o medo,
A face do meu bom Jesus!

Cura-me Jesus

 

Sexta feira preguei na Cruz um pequenino
Inocente, Doce, Bom
Cordeiro tão mansinho...

Sou tão vil
Eu, pecadora,
Que tirei a Deus nu da manjedoura
E o preguei na Cruz
Também ao frio...

No meu coração, fui deixando as farpas afiadas do mal encher de feridas,
as paredes encarnadas e doloridas daquele sacrário onde o Espírito chora por me querer salvar

Mas dizem que não há mal que sempre dure
E embora esse mal me arraste pelo chão e empurre,

 
Ainda tenho coração.


E dizem que água mole em pedra dura, 
tanto bate até que cura...

Cura-me Jesus
Dá-me a tua mão...

Muda esta lage inerte e fria
Pega em mim, que sou pobre e só posso receber
E faz-me beber da única fonte que sacia
esta sede de morrer para mim e ser Tua!


Parte com a tua força gloriosa
Esta prisão desditosa 

que teima em me conter.

E que eu seja toda tua,

E seja uma 

com a Luz que sempre eternamente e em Louvor a Ti Contigo Viva continua 

E me consuma

a Gozar sem merecer





Transbordar

Percebo,  Na vida, variada, colorida  Vemos todos estranheza  Mas era estranho, deveras Que ao olhar para uma andorinha ferida  Víssemos ape...