Natal 2025 II

 É noite noitinha, pequenino Jesus 

O teu coraçãozinho bate justo ao meu.

Agora, posso ter-Te no meu colo...


Que estranha simpatia tens, Senhor 

Pela minha própria pequenez

E que Amor tão grande 

Te foi fazer tão pequenino 

que pudesse dar-Te colo...


Com as tuas mãozinhas inocentes partes o pão para mim 

E eu aceito 

É tão grande a Tua candura!


Quando amanhã te receber na Eucaristia 

Vou olhar para a Cruz com cuidado...

Vou lembrar-me com reverência e assombro

que És O Mesmo que agora dorme nos 

meus braços.

E vou espreitar para o Céu, para tentar ver aos Anjos e a toda a Corte Celeste... E...

Vou pedir-Te

De novo, outra e outra vez, que me perdoes

E Que nunca Te apartes de mim.

O que os Homens detestaram e o que Deus amou

Os homens detestaram a riqueza,

A plenitude,

E depois a pobreza 

E depois a pureza

E depois a luz 

A seguir a verdade 

Enfim o caminho 

A vida 

E o amor 

Detestaram a brancura gloriosa 

E de forma dolorosa 

Detestaram o Senhor 


Incruenta, a sanha cruenta da sexta-feira da paixão 

Mora agora num pedacinho de quase incolor... De Pão!


E é Jesus 

O Cristo 

Que o Pai ama tanto...


Mas Deus amou também 

quem O detestou

E ama tanto ou tão bem o homem 

Que leva para o Céu consigo 

Quem tem n'Ele um Amigo 

Sem saber como O tem...


Esse Amigo é assim 


Chega antes de nós 

Liga-nos as feridas 

E depois dá o tempo para sarar

Chega sempre primeiro 

Assim que pedimos 

Nós

Que somos mais difíceis de gostar...


Que vergonha sinto, meu Deus 

Quando me olho devagar...


Mas não me esqueço: Amaste-me primeiro 

Eu que sou difícil de gostar...!





Natal 2025 I

Podia perder-me esta noite toda 

Aqui 

A olhar 

Podia estender-me neste deleite de luz

Que é ver-Te,

Jesus,

Acabado de chegar...

Podia estreitar-Te nos meus braços,

Só porque és pequenino.

E assim Te fizeste para que os meus braços tão curtos Te pudessem abraçar...

Por uma noite,

Dás-me o deleite 

De Te ver: menino de leite.


Quero ficar assim para sempre 

A sentir a Tua pulsação na minha 

A escutar a Tua respiração em tudo 

Que tudo me fale de Ti


Esta noite,

Cantamos com os Anjos e os Santos

Que é Natal e Jesus já dorme

E Maria, rendida, descansa ao ombro de José que, em silêncio,

Sorri!


Transbordar

Percebo,  Na vida, variada, colorida  Vemos todos estranheza  Mas era estranho, deveras Que ao olhar para uma andorinha ferida  Víssemos ape...