O viver tem fundo de negrume
qual nevoeiro, cor invertida
que vem de encontro a nós de investida
e é causa de inveja e ciúme

aqueles que vivem invertida essa luz
e que gostam de provar veneno
procuram incessante um morrer sereno
p'ra conhecer o negro que os seduz

mas à falta de cor mais garrida
suma-se de vez a desdita
agarrem-se ao fio da vida

larga-nos, fundo de abismo
negro perene e sevicial
sombra do nosso mortal egoísmo

Se a minha imaginação se plantar na minha memória
a ponto de se confundir com ela,
eu serei uma só

ainda que inconsciente
e todos os meus recantos serão só um

toda eu
um corpo vivo

então vazio de mentira
porque toda eu serei verdade
e todo meu será o dia

Transbordar

Percebo,  Na vida, variada, colorida  Vemos todos estranheza  Mas era estranho, deveras Que ao olhar para uma andorinha ferida  Víssemos ape...