Vejo corpos flutuarem pelas ruas.
Enchem as veias da minha cidade.
Onde irão estes corpos sem morada
de rostos habitados em verdade?
Palpitando de forma velada,
assim como quem não tem mesmo mais nada
além de um compassado ser-sentido forte,
perdem-se imensos em si-saudade.
Saberão onde ir
estes fantasmas figurados
de espírito soprados
quais corpos de abandono
Ora, em virtude do silêncio os abono
e sempre a meu favor
pois reconheço estar a sós
o desespero
com os desesperados
Nascemos alguns já finados
que injustiça e desaforo
haver vidas já morridas
bordoadas por outros a ouro
pelo que parece tudo o que não é
traiçoeira, a lucidez
vistas por esses olhos, estas mortas vidas
como se fossem na sua morte vividas
mais nobres que outras simples duas ou três.
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