Pára!
Arder
para sempre
incessando cada momento
cristalizando o agora
como se fôra
sempre
para sempre
Pára!
Arderemos
como e com o amor que deve ser
E por entre labaredas dirás que me amas
por entre chamas
Pára!
Não me perguntes
não te perguntes
isto ou aquilo só é
por via de ter que ser
mais nada
e nem o nada é nada
se não tiver que o ser
Percebes agora e assim
o que tem que ser em mim?
Não digas nada
o silêncio tem mais valor
que uma frase mal rasgada
É verdade
temos que rasgar bem as frases
se não, não dizem nada.
percebes agora
porque prefiro querer-te calada?
O fogo
o Amor
manobram a mesma espada.
Sei-te em mim e basta
de mim não sabes
mas isso deve-se só
ao facto de falar calada
se aprenderes a ouvir-me silêncio
querer-me-ás
até não haver madrugada
Não sei o preço do que te peço
mas Pára
e faz-te minha parte
pois no sumiço a dois
seremos uma e a mesma arte
E no fim
Arderemos
e faremos desse fogo
Baluarte
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